Campo Olímpico de Golfe vira palco de festas e obras para campo de futebol; prefeitura e empresa acionam Justiça
Campo Olímpico de Golfe vira palco de festas e obras para campo de futebol O Campo Olímpico de Golfe, construído na Barra da Tijuca para a Olimpíada de 2016...
Campo Olímpico de Golfe vira palco de festas e obras para campo de futebol O Campo Olímpico de Golfe, construído na Barra da Tijuca para a Olimpíada de 2016, virou um local no centro de uma disputa judicial. De um lado, a prefeitura do Rio, que alega mau uso do espaço, e a empresa Tanedo, dona do terreno. Do outro, a empresa CRF Empreendimentos e Participações, responsável pela gestão do campo, que vem sendo utilizado para outras atividades além do esporte que motivou sua criação. Vídeos mostram que o gramado já recebeu exposição de carros esportivos, passeios de helicóptero, balões e até queima de fogos. O espaço também tem sido oferecido para eventos sociais, como casamentos, festas de 15 anos e aniversários, com anúncios que destacam “um ambiente deslumbrante e uma estrutura impecável”. Recentemente, obras começaram a transformar parte da área em um campo de futebol, o que gerou ainda mais polêmica. Campo Olímpico de Golfe Sthepanie Rodrigues/g1 Um termo assinado em 2018 entre a prefeitura e a CRF determina que o espaço deve ser usado exclusivamente para o fomento do golfe e proíbe a utilização por terceiros. No entanto, segundo o município e a empresa proprietária, essa cláusula não vem sendo respeitada. A disputa na Justiça Campo Olímpico de Golfe vira atração para estudantes da rede municipal A prefeitura afirma que a permissão de uso se encerrou em novembro e pede a devolução do campo. Atualmente, a gestão da CRF se mantém graças a uma liminar na Justiça, que o município tenta derrubar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Imagens das possíveis irregularidades foram anexadas ao processo. A empresa dona do terreno, a Tanedo, também contesta as obras do campo de futebol, alegando alteração no traçado original e indícios de remoção de vegetação nativa. “As obras desse campo de futebol não só suprimem parte do campo como apresentam indícios de impacto sobre vegetação nativa. Houve até festa de réveillon com fogos dentro de área de proteção ambiental”, disse Alexandre Kingston, advogado da empresa Tanedo. Empresário investigado Carlos Favoreto, dono da CRF, também preside o conselho da Fundação São Francisco de Assis, responsável pela gestão de centenas de milhões de reais em compensações ambientais do estado. A fundação passou a ser investigada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas após denúncias de direcionamento em contratos com o governo estadual. Favoreto nega irregularidades. Segundo a prefeitura e a proprietária do terreno, há indícios de infrações ambientais e ocupação irregular de área pública. Um protocolo de intenções já foi firmado entre a empresa e a Confederação Brasileira de Golfe para tentar recuperar o espaço e manter o legado olímpico na cidade. Notas A CRF Empreendimentos, responsável pela gestão do Campo Olímpico de Golfe, afirmou que todas as intervenções realizadas no espaço são devidamente autorizadas pelos órgãos públicos competentes e respeitam o acordo de concessão da área. Segundo a empresa, as melhorias são estritamente operacionais e esportivas, voltadas para manutenção, segurança e atendimento aos praticantes. A CRF destacou ainda que o campo é referência internacional em qualidade e que vai sediar, pelo terceiro ano consecutivo, um dos maiores torneios de golfistas profissionais do mundo. Já a Prefeitura do Rio informou que o prazo de cessão do terreno expirou em novembro de 2025 e que agora cabe à Tanedo, empresa proprietária da área, decidir sobre o uso do espaço. A Tanedo declarou que pretende retomar o terreno e garantiu que ele continuará sendo utilizado como campo de golfe público.